Estudo HIV+ But FIT

O projeto “HIV+ BUT FIT” tem como objetivo investigar a relação entre a atividade física e o risco cardiovascular (RCV) em pessoas vivendo com HIV (PVHIV), com ênfase no papel de mediadores e moderadores dessa associação, como a aptidão aeróbica e muscular. A terapia antirretroviral (TARV) reduziu significativamente a mortalidade e aumentou a longevidade das PVHIV. No entanto, essa população ainda apresenta risco elevado para o desenvolvimento de doenças crônicas, especialmente cardiovasculares, em decorrência de fatores como inflamação crônica, ativação imune persistente e efeitos adversos da TARV sobre o metabolismo de lipídios e glicose. Nesse contexto, a prática de atividade física moderada a vigorosa (AFMV) é amplamente reconhecida por melhorar o perfil metabólico, reduzir marcadores inflamatórios e promover a aptidão física, aspectos fundamentais para a mitigação do RCV.

O estudo possui delineamento transversal, aninhado a uma coorte, e foi conduzido em Maceió-AL, com uma amostra representativa de aproximadamente 500 PVHIV em acompanhamento em três serviços de saúde da região. Os participantes foram avaliados em múltiplas dimensões, incluindo a prática de atividade física (por meio de acelerometria e questionários), composição corporal (gordura e massa muscular), aptidão aeróbica e neuromuscular, além de perfis lipídico, glicêmico, inflamatório e cardiovascular. Adicionalmente, foram realizadas avaliações por ultrassonografia cardiovascular, permitindo a análise de marcadores subclínicos de aterosclerose, como a espessura médio-intimal carotídea e a presença de placas, ampliando a sensibilidade na detecção precoce do risco cardiovascular.

A etapa de coleta de dados com os participantes foi finalizada, e o estudo encontra-se atualmente na fase de obtenção de variáveis adicionais (processamento de alíquotas e extração de dados de prontuários) e análise dos dados. Serão utilizados escores preditivos de RCV, como o Escore de Risco de Framingham (ERF) e o modelo D:A:D, amplamente empregados nessa população.

O diferencial do projeto reside na investigação não apenas dos efeitos diretos da atividade física sobre o RCV, mas também dos mecanismos pelos quais essa relação ocorre, considerando a mediação por fatores como a aptidão física e a modulação por condições clínicas, incluindo uso de TARV, carga viral e contagem de linfócitos T CD4+. Dessa forma, o estudo busca identificar caminhos diretos e indiretos pelos quais a atividade física pode reduzir o RCV em PVHIV, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais eficazes. Além disso, permitirá uma compreensão mais aprofundada dos fatores sociodemográficos e comportamentais associados ao RCV nessa população.