Enelise Hávilla Ferreira da Silva Souza
DESAFIOS FORMATIVOS PARA A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE SÃO LUÍS DO QUITUNDE-AL: UMA PERSPECTIVA INTERSECCIONAL
Resumo
Esta dissertação investiga os processos de inclusão escolar de estudantes com deficiência em uma escola pública de São Luís do Quitunde-AL, partindo da compreensão de que a garantia do acesso à escola, embora constitua um avanço no campo dos direitos educacionais, não assegura, por si só, condições efetivas de participação, aprendizagem e pertencimento. Ancorada na perspectiva analítica da interseccionalidade, a pesquisa busca compreender como práticas pedagógicas, processos formativos e marcadores sociais da diferença se articulam na constituição das experiências escolares de estudantes público-alvo da Educação Especial. O objetivo geral consiste em analisar, sob a perspectiva da interseccionalidade e à luz das diretrizes da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Decreto nº 12.686/2025), os processos de inclusão escolar de estudantes público-alvo da Educação Especial em uma escola pública de São Luís do Quitunde-AL, considerando como práticas pedagógicas, processos formativos e marcadores sociais da diferença incidem sobre suas experiências de participação, aprendizagem e pertencimento escolar. A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de Crenshaw, Collins, Bilge e Akotirene acerca da interseccionalidade, articuladas às discussões sobre educação inclusiva, capacitismo e formação docente desenvolvidas por autores como Mantoan, Glat, Pletsch, Gesser e Nóvoa. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa-ação colaborativa de abordagem qualitativa, estruturada segundo o modelo escandinavo de produção acadêmica e organizada em três estudos empíricos. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante, registrada em diário de campo, e entrevistas semiestruturadas realizadas com profissionais da educação e familiares de estudantes com deficiência. A análise dos dados fundamentou-se na Análise de Conteúdo proposta por Bardin, possibilitando a construção de categorias analíticas a partir das entrevistas e dos registros de observação participante. Os resultados evidenciam que os processos de inclusão escolar no contexto investigado são atravessados por desigualdades estruturais relacionadas às condições socioterritoriais, às práticas capacitistas, à precarização dos processos formativos e à feminização do cuidado, produzindo experiências marcadas por tensões entre acesso, participação, aprendizagem e pertencimento escolar. As análises revelam, ainda, que a inclusão escolar se configura como um processo complexo, condicionado pela interação entre diferentes marcadores sociais da diferença e pelas condições concretas de escolarização vivenciadas pelos estudantes. Como desdobramento da pesquisa, foi desenvolvido um recurso educacional voltado à formação de profissionais da educação, com foco no enfrentamento do capacitismo e na promoção de práticas pedagógicas sensíveis à diversidade e à equidade. Conclui-se que a compreensão interseccional da inclusão escolar possibilita problematizar leituras restritas ao acesso formal e evidencia a necessidade de transformações institucionais, pedagógicas e formativas comprometidas com a participação, a aprendizagem, o pertencimento e o reconhecimento das diferenças no contexto escolar.
