Natalia Bruna Marques Pereira
Os efeitos da videomodelação instrucional na aplicação do ensino incidental
Resumo
O ensino incidental, do inglês Incidental Teaching (IT), é um procedimento baseado na Análise do Comportamento Aplicada, do inglês Applied Behavior Analysis (ABA), que utiliza interações naturais e contextos espontâneos para promover a aprendizagem, com ênfase na motivação e nas iniciativas da criança. Considerando sua relevância para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação funcional de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), torna-se importante desenvolver estratégias para capacitar profissionais que atuam diretamente com esse público. Nesse contexto, a videomodelação tem sido utilizada para ensinar profissionais e cuidadores de pessoas com TEA a implementarem procedimentos baseados na ABA. O objetivo do presente trabalho é analisar os efeitos da videomodelação instrucional na implementação do ensino incidental por profissionais que atuam com crianças com TEA em contexto escolar. Para isso, três estudos serão conduzidos. O Estudo 1, que já foi concluído, teve como objetivo sistematizar os estudos que ensinaram a aplicação do ensino incidental. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática da literatura, com base nas recomendações do PRISMA. . Foram realizadas buscas nas bases de dados PsycINFO , PubMed , ERIC , Portal de Periódicos CAPES e Web of Science , utilizando o termo “incidental teaching”. Dos 43 artigos identificados, 14 atenderam aos critérios de elegibilidade. Os resultados indicaram que cuidadores de crianças com TEA foram os participantes mais frequentes, que o delineamento de linha de base múltipla foi o mais utilizado e que o Behavioral Skills Training (BST) foi o procedimento de ensino mais frequente. O Estudo 2, o qual está em andamento, teve como objetivo produzir e validar um vídeo instrucional para ensinar a implementação do ensino incidental. Inicialmente, uma análise de tarefas da condução do ensino incidental foi realizada a partir dos achados da revisão sistemática. Foram identificados 10 passos como sendo necessários para a implmentação do ensino incidental. Após a análise de tarefas, um vídeo instrucional, com duração aproximada de 10 minutos foi produzido. O vídeo apresenta os conteúdos e os passos necessários para a implementação do ensino incidental. Como etapa subsequente, o vídeo será submetido a um processo de validação de conteúdo por seis avaliadores, sendo três especialistas e três leigos em relação ao ensino incidental. Os avaliadores analisarão a correspondência entre os conteúdos apresentados no vídeo e a análise de tarefas, a presença dos 10 passos do procedimento e a clareza e compreensão das informações apresentadas. O Estudo 3 consistirá na utilização do vídeo instrucional para ensinar profissionais que atuam com crianças com TEA em contexto escolar a implementar o ensino incidental. Será utilizado um delineamento de linha de base múltipla não concorrente entre participantes, com seis acompanhantes terapêuticos de crianças com TEA. O desempenho dos participantes será avaliado antes e após a exposição ao vídeo, considerando a acurácia na execução dos passos do procedimento. Ao final, será aplicado um questionário de validade social para avaliar a aceitabilidade da intervenção. Espera-se que o vídeo instrucional contribua para o desenvolvimento do repertório dos profissionais para a implementação do ensino incidental, favorecendo a utilização de práticas baseadas em evidências no contexto escolar.
